terça-feira, 30 de setembro de 2014

Atenção alunos do 3º ano! Vamos começar nossa jornada de Vestibulares

E para começar, temos a Faculdade Maurício de Nassau que já abriu suas inscrições. Acessem o link abaixo, e leia todas as informações com muita atenção:

Vestibular Maurício de Nassau 2015

PROGRESSÃO PARCIAL – Aplicação das provas



Disciplinas
Datas

Professor
Física 1
17 /10


07/11
Alana
Física 2
24/10
Termologia
Dilatações
18/11
Josy
Matemática 1
07/10
Razões trigonométricas
Função quadrática
11/11
Cristina
Matemática 2
20/10
Área e volume dos prismas
17/11
Renata




sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Sites oferecem aulas e simulados personalizados para o Enem

Com o foco em um público que já deixou as salas de aula, plataformas online oferecem conteúdo que pode ser visto em qualquer hora e lugar

 

Para além das salas de aula, há uma legião de candidatos ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se preparando longe das carteiras e do quadro negro. Nem por isso, deixam de lado as apostilas e os exercícios. Com aulas online, oferecidas por um número cada vez maior de instituições, mesmo aqueles que não têm tempo para frequentar um cursinho podem se preparar com lições ministradas por professores do outro lado da tela – por vezes, sem custo nenhum.

Vem, Enem: acesse a série de reportagens preparatórias para o exame

A oferta desses sites aposta em um público que não frequenta mais a escola, mas ainda deseja cursar o Ensino Superior ou concluir o Ensino Médio. E não são poucos: mais de 1,3 milhão dos candidatos neste ano têm mais de 30 anos, conforme dados do Ministério da Educação, e 537 mil buscam o certificado de conclusão da educação básica.
Quem procura os estudos virtuais tem uma grande diversidade de opções para entender os conteúdos cobrados no maior vestibular do Brasil. São simulados, vídeo-aulas, questões comentadas e reforço naquilo em que o aluno tem mais dificuldade – algo que a tecnologia empregada nesses sistemas consegue detectar. Muitos desses sites oferecem inclusive uma estratégia personalizada: se o candidato vai muito bem em alguma das quatro áreas de conhecimento cobradas no exame, o foco principal dos estudos recai sobre as demais provas.
– Conforme os alunos estudam em nossa plataforma, os algoritmos aprendem sobre eles e passam a recomendar para cada um o conteúdo que for mais importante para ele – define Claudio Sassaki, cofundador da plataforma de ensino Geekie, que oferece um simulado aberto e gratuito com expectativa de alcançar 3 milhões de alunos cadastrados até as provas de novembro.

Leia as últimas notícias sobre educação em Zero Hora
Quem aderiu a essa oferta se mostra animado com a chance de estudar em casa com os mesmos professores que ensinam milhares de alunos em cursinhos pelo Brasil afora. Moradora de Porto Alegre, a técnica em enfermagem Muriel Vianna vai fazer o Enem neste ano com o objetivo de cursar a graduação na área em que acaba de concluir o curso técnico. Com dois filhos e uma rotina agitada – que até há pouco incluía aulas de manhã e estágio à tarde –, ela aproveita as poucas horas disponíveis para estudar online.
– Gosto porque dá a impressão de que o professor está em contato com a gente, como se estivesse em aula mesmo. Se você acerta, ótimo, mas se erra tem a explicação da resposta certa, e lições disponíveis para reforçar os conteúdos – explica Muriel, que tem aulas virtuais desde o início do ano.


QUIZ: teste seus conhecimentos para a prova de Ciências Humanas


Além de oferecer um ensino personalizado, essas aulas estão sempre ao alcance do candidato: no computador, no tablet, no smartphone. Se não há um horário definido para estudar, abre- se a oportunidade de aprender a qualquer hora, em qualquer lugar, dependendo apenas da disponibilidade do próprio estudante.
– É muito cômodo: você pode assistir aulas no ônibus, em casa, onde estiver – afirma Edgar Abreu, um dos coordenadores do site Enem Quiz, da Casa do Concurseiro.
Disciplina contra as distrações onlineA grande diferença das aulas online é que não há chamada, nem cobrança por parte do professor: dependem somente da dedicação do aluno. E, como são oferecidas pela internet, o material didático convencional dá lugar a vídeos, apostilas virtuais, questões comentadas e recapitulações – tentando atrair um público que, por buscar a facilidade dos estudos online, tende a ser mais propenso a se dispersar.
Para evitar que a atenção se desvie para as redes sociais – ou outras formas de entretenimento – justamente quando a concentração deve estar toda no aprendizado, a dica é se organizar. O professor Rafael Korman, sócio da Autonomia Educação, empresa dedicada a apresentar métodos de estudo, recomenda que mesmo quem tem pouco tempo disponível para as aulas se programe.
– Às vezes, teu próprio horário é um limitante. Se, por exemplo, só a hora do almoço sobra para os estudos, é preciso distribuir as aulas ao longo de um período maior – diz Rafael.

Tempo, cotas, TRI: estudantes tiram dúvidas sobre as provas do Enem 
 
Para quem vai fazer o Enem nos dias 8 e 9 de novembro e optou pelas aulas virtuais, o professor destaca que pelo menos um momento do dia deve ser dedicado exclusivamente aos estudos.
Com dedicação, os conteúdos personalizados podem se refletir em resultados. A estudante Talita Elis, 18 anos, foi aprovada em duas universidades federais, e hoje cursa Arquitetura e Urbanismo na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Ela afirma que o cursinho virtual a ajudou a obter uma boa nota no Enem.
– No começo, desconfiei um pouco da promessa que a plataforma identificaria meus pontos fracos, mas deu certo: as indicações são bem específicas e realmente foram conteúdos que eu tinha que estudar – garante Talita.


QUIZ: teste seus conhecimentos para a prova de Ciências da Natureza 


> Dicas para planejar os estudosO estudo é em casa, mas exige disciplina. Confira alguns toques para que o tempo dedicado renda ao máximo.
- Ao acompanhar as aulas pelo computador, smartphone ou tablet, desgrude dos demais aparelhos tecnológicos.
- Tenha um objetivo claro ao estudar: durante as lições, se concentre e evite cair na tentação das redes sociais.
- Reserve um período específico do dia para as aulas e simulados, ainda que seja apenas uma hora durante o almoço ou à noite.
- Como não há um cronograma a seguir, aproveite para estudar mais quando tiver um turno livre, mesmo nos fins de semana- Faça uma distribuição de estudos a longo prazo: se matemática é seu ponto fraco, quantos dias serão necessários para ver todas as aulas?
- Não hesite em aproveitar as vantagens online: faça uma pausa quando necessário, volte naquilo que não entendeu
- Mesmo na reta final, não deixe de lado as horas de lazer: dormir, se alimentar bem e sair com os amigos ajudam até a fixar o conteúdo.
Fonte: Rafael Korman, sócio da empresa Autonomia Educação

Conheça algumas opções
Geekie Games (Enem)
geekiegames.com.br
Uma das pioneiras no ensino adaptativo, com certificação do Inep, oferece um simulado que serve como diagnóstico para aquilo que o candidato mais precisa aprender. A plataforma sugere um plano de estudos personalizado, oferecendo lições personalizadas e novos testes no mesmo formato do exame. Também é possível estudar por tópicos. A ferramenta esta disponível de forma gratuita até 9 de novembro, último dia do Enem.

Aula Livre (Enem e vestibulares)aulalivre.net
O site oferece cursos compostos por videoaulas, complementos em PDF e questões de fixação. Para o vestibular e para o Enem, há opções de cursos completos a partir de R$ 9,90 por mês. Apenas uma opção é gratuita, que inclui mais de cem aulas online distribuídas entre 11 disciplinas. Além de vídeos e testes, os alunos têm à disposição apostilas para os estudos.

UOL Enem (Enem)enem.uol.com.br
Por sete dias grátis (depois, R$ 15 mensais), o UOL Enem oferece podcasts, aulas em vídeo, exercícios, resumos, revisões e simulados online. Há ainda espaço dedicado a temas atuais e questões comentadas, com o auxílio de professores disponíveis 24 horas por dia. É permitido ainda tirar dúvidas sobre questões que não estão na ferramenta, porém com um limite de perguntas por mês.

Enem Quiz (Enem)enemquiz.com.br
Gratuito até o final do ano, o site oferece simulados adaptativos e comentários em vídeo sobre cada uma das questões cobradas em edições anteriores do Enem. Ao final dos testes, uma análise de desempenho do estudante é apresentada. Um painel de estudos personalizado mostra quantos acertos e erros o aluno teve, indicando também seu aproveitamento. É possível se focar naquelas áreas identificadas como pontos fracos e escolher quais temas estarão incluídos nas questões.

Descomplica (Enem e vestibulares)descomplica.com.br
Focada em uma abordagem divertida dos estudos, a equipe ministra aulas ao vivo todos os dias, corrige redações e oferece monitoria e aulas particulares. Ao se cadastrar, o aluno tem acesso gratuito a um vídeo de cada módulo, testes e textos de apoio. Para ter direito às demais opções, precisa pagar uma assinatura mensal de R$ 24,99. Parte do conteúdo é disponibilizado em um canal no YouTube.

Professores de Plantão (Enem, vestibulares e concursos)professoresdeplantao.com.br
Ao colocar alunos pré-universitários e universitários em contato com estudantes de graduação, mestrado e doutorado, o site permite agendar aulas ou solicitar auxílio imediato para tirar dúvidas sobre alguma matéria. O atendimento é feito por meio de planos que custam a partir de R$ 1,25/minuto. Em vez de videoaulas gravadas, o site oferece o contato direto com os educadores para solucionar dúvidas.

AppProva (Enem e OAB)appprova.com.br
O site estimula os estudos com um simulado em formato de jogo, onde os candidatos podem desafiar os amigos e divulgar seus próprios resultados. Não há, porém, aulas. Depois de terminar o teste, uma análise da performance fica disponível para que o aluno veja onde está bem e onde tem de melhorar. O “jogo” é gratuito, mediante login via Facebook ou Google+, e utiliza a mesma teoria da resposta ao item (TRI) do Enem. Com duas provas de 90 questões cada, o simulado atual segue até 29 de setembro.

* Zero Hora 

http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vestibular/noticia/2014/09/sites-oferecem-aulas-e-simulados-personalizados-para-o-enem-4606872.html 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Não são necessários mais links-convites!







Olá, Diretor(a)!
Baseados nos feedbacks de vocês concluímos a reformulação de todo o processo de cadastro dos alunos no Geekie Games para facilitar que as escolas participem do projeto com todos os seus alunos.
O resultado desse trabalho é que, a partir de hoje, não será mais necessário a distribuição dos links-convites aos alunos.
Agora, basta que eles acessem o site www.geekiegames.com.br , cliquem em 'Participe Aqui' e completem o cadastro.
Fique tranquilo. Você continuará recebendo os relatórios de desempenho dos seus alunos. Eles só precisam preencher corretamente as informações, como estado, cidade e escola, conforme demonstrado na imagem abaixo.
Simples e prático para você aproveitar todos os benefícios da plataforma na sua escola!
LEMBRE-SE: QUANTO MAIS SEUS ALUNOS ESTUDAREM NO GEEKIE GAMES, MAIS INFORMAÇÕES SOBRE ELES VOCÊ TERÁ E O INCENTIVO DOS PROFESSORES É ESSENCIAL PARA QUE ISSO ACONTEÇA. 
 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Material para proposta de redação - 3º ano



Desvio do rio São Francisco transporta o semiárido dos tempos da indústria
da seca para a era do hidronegócio, mas piores efeitos da estiagem ainda
são combatidos da maneira mais tradicional e eficaz, com milhares
de cisternas e carros-pipa
Da janela de sua casa, no distrito de Curralinho, em Cabrobó, sertão de Pernambuco, o agricultor Leônidas Landin contempla o que jamais imaginara ver na vida: um canal gigantesco, com quase 20 metros de profundidade, pelo qual poderão passar, atravessando a sua propriedade, até 8,6 milhões de m³ de água a cada dia, mais que o triplo da produção normal do sistema Cantareira, na Grande São Paulo. É o canal maior da transposição do rio São Francisco, a obra de R$ 8 bilhões com que o governo federal pretende assegurar abastecimento de água para 12 milhões de nordestinos.
Iniciada em 2006, a transposição é um conjunto de canais, aquedutos, túneis e açudes com 477 quilômetros de extensão que pretende distribuir a água retirada do rio, na divisa entre Bahia e Pernambuco, para 390 cidades de quatro Estados (Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte), dando-lhes o que o governo chama de garantia hídrica. Seu término está previsto para 2017, mas alguns trechos já deverão estar em funcionamento em 2015.
Cigarro de palha na boca, Landin contempla a obra de engenharia como se fosse um elemento a mais da paisagem tórrida do semiárido nordestino. Oito anos após iniciada a construção, nenhuma gota passou por ali. Mas sua preocupação atualmente é bem outra: a água da cisterna em frente à sua casa, onde cabem 16 m³ (16 mil litros), começa a minguar.
O cilindro de alvenaria –construído em menos de dez dias pelo sindicato rural da cidade, com cerca de R$ 2.000 vindos de recursos federais– é o que garante às nove pessoas da família água para beber, cozinhar e tomar banho. Na última vez em que se esvaziou, ficaram dois dias sem água, até a chegada do caminhão-pipa enviado pela prefeitura.
Ficar sem água, porém, é cena cada vez mais incomum no Nordeste, mesmo no semiárido, região onde moram a família Landin e outros 22 milhões de pessoas (40% da população do Nordeste) e onde as chuvas são pouco previsíveis. Um sistema improvisado de carros-pipa, cisternas, poços e açudes já supre, ainda que de forma irregular, as necessidades básicas da população, mesmo a mais isolada.
É uma realidade muito diferente das muitas secas do passado. Algumas das piores estiveram associadas ao fenômeno El Niño, aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico que costuma ser acompanhado de estiagens severas na Amazônia e no Nordeste. Um El Niño forte como o de 1982-83, que prolongou a seca iniciada em 1979, pode ter matado mais de 100 mil habitantes.
No início do segundo semestre de 2014, o fenômeno se repete, mas os dados então disponíveis indicavam que permaneceria moderado. Vindo com força, porém, ou seguido por outro tipo de perturbação oceânica no vizinho Atlântico capaz de reacender a fornalha da seca no final do ano, morreriam mais reses, muitas lavouras se perderiam e as cidades do semiárido enfrentariam dificuldades de abastecimento, mas não se repetiriam as cenas dantescas de fome como em décadas passadas –não com um governo federal disposto a desembolsar R$ 9,1 bilhões para minorar os efeitos da seca, como fez em 2012-13.

INDÚSTRIA DA SECA E HIDRONEGÓCIO

No discurso oficial, a transposição do São Francisco vem para garantir que sempre haverá água para todos. Para os opositores da obra, ela é o exemplo maior do que já vem sendo caracterizado como o hidronegócio: o uso comercial da escassa água da região para a produção industrial e agrícola de bens muitas vezes inadequados para o clima da região, mais em benefício de grandes empresários do que da população em geral.
Landin vai erguer com o próprio dinheiro uma outra cisterna em seu quintal. Mesmo morando ao lado do canal, ele crê que a água não seja para ele, pois não poderá pagar por ela. “Quanto é que vai custar uma água dessa, major?” pergunta, após o repórter informar que o valor da obra já está em R$ 8 bilhões.
O governo federal não tem resposta para a pergunta do agricultor. Promete, porém, que não cobrará pelo custo da obra, apenas pela manutenção do sistema. E também promete partilhar a água com cerca de 3.000 famílias que vivem próximas ao canal.

AS ÁGUAS NO NORDESTE

Até três anos atrás, quando a região passou a enfrentar a pior seca das últimas oito décadas, Landin tinha água em abundância. O açude Terra Nova se enchia com frequência e levava água por pequenos riachos até seu sítio. O agricultor chegou a colher 30 toneladas de cebola numa safra.
“Ave Maria, se tivesse água, nós tava era rico. A riqueza da gente é saúde e água.”
Com apenas 4% de sua capacidade, o açude é incapaz de abastecer os moradores da região. E o Terra Nova não é o único quase seco. Os grandes reservatórios terminaram o frustrado período chuvoso de 2013/14 com menos de metade de sua capacidade.
E só costuma começar a chover na região a partir de outubro, quando inicia o período menos seco, que termina em abril. A caracterização de seca ocorre quando não chove nesse período ou quando a chuva anual fica abaixo da média de 700 mm.

A CADA 24H NO SÃO FRANCISCO

Chuvas normais permitem armazenar 62 km³ (62 bilhões de m³) de água nos cerca de 70 mil pequenos e grandes açudes construídos ao longo de dois séculos no semiárido. Essas obras são apontadas como os pilares da indústria da seca, nome dado ao modelo de grandes construções que beneficiavam proprietários mais ricos, em detrimento da população mais pobre. Com os açudes cheios, há água para assegurar a cada habitante do Nordeste os 110 litros diários preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Mas há dois problemas: nem sempre chove para encher os reservatórios, e só 25% da água abastecem diretamente a população. Os outros 75% vão para a indústria e a irrigação.
Rubem Siqueira, da CPT (Comissão Pastoral da Terra, ligada à Igreja Católica e contrária à transposição), não acredita que o projeto vá resolver as dificuldades da população urbana e dos pequenos agricultores. Como para cada real investido na obra serão necessários outros dois para levar a água até as casas, ele duvida que o investimento vá ser feito.
Foi Siqueira quem criou a expressão “hidronegócio”: “A transposição é a última obra da indústria da seca e a primeira do hidronegócio”, afirma. Outro problema grave dos reservatórios, diz, é a evaporação: para cada litro armazenado, perdem-se três.
O Estado que mais receberá água da transposição é o Ceará, onde será gerenciada pela Cogerh (Companhia de Gestão de Recursos Hídricos), órgão estadual que controla o uso da água de 149 grandes açudes, com capacidade para armazenar 19 bilhões de m³.
A distribuição e o uso dessa água se dão por decisões coletivas de comitês de bacias, formados por integrantes de governos e da sociedade. Mesmo regiões com abundância experimentam conflitos entre demandas, já que a maior parte (60%) é apropriada pelo setor agrícola. Yuri Castro, diretor técnico da Cogerh, defende, porém, que a transposição foi projetada para resolver o problema de abastecimento humano e que o fará. Ele não vê contradição em também dar à água um uso comercial: “Se não tiver água, não tem desenvolvimento. Isso é básico”.

ENERGIA CARA

Para dar “garantia hídrica” aos nordestinos do semiárido, a transposição precisa tirar, no mínimo, 2,2 milhões de m³ de água por dia do rio São Francisco. Essa quantidade serviria para abastecer 27 grandes açudes nos 477 km de canais dos dois eixos principais.
Esses 27 açudes, que podem reservar 500 milhões de m³, liberarão água de forma controlada para alimentar reservatórios mais distantes, por meio de outros 1.268 km de canais e adutoras, que os Estados prometem construir, e por leitos de rios hoje intermitentes.
Para fazer a água chegar tão longe, contudo, a energia que acionará as bombas é estimada pelo Ministério da Integração em 56 mil megawatts-hora (MWh) por mês. A conta seria de R$ 28 milhões mensais, a preços do primeiro semestre de 2014, quando estava em seu pico. Na média histórica, o valor da eletricidade ficaria em torno de R$ 7 milhões ao mês.
O agrônomo e ambientalista João Suassuna, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, entidade especializada em estudos sobre a região Nordeste, diz que o custo da água é incompatível com o uso agrícola. Estudos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do governo federal) apontavam já em 2006 que esse custo poderia ser de cinco a oito vezes superior ao custo médio de um projeto de irrigação.
Frederico Meira, coordenador da transposição pelo Ministério da Integração, informa que há regras para a destinação da água. Primeiro, para uso humano, depois para os animais e para a indústria e só então para a irrigação. Ex-gerente da companhia estadual de água no sertão de Pernambuco, Meira conta que, na seca de 2002, foi necessário interromper o fornecimento agrícola e industrial, até que também acabou a água para consumo doméstico. “Fiquei seis meses abastecendo uma cidade de 50 mil habitantes com caminhão-pipa.”

COLETA POLUÍDA

Em frente ao bar na cidade de Ibó (BA), a 20 km de Cabrobó (PE), o pipeiro José Pereira Neto, 33, pega água para encher o caminhão com que atende localidades da área rural, a mais de 60 km de distância. O cheiro de esgoto é forte, mas isso não o impede de entrar no rio para colocar o duto que leva água para o tanque do veículo. Quase não há coleta de dejetos nas cidades banhadas pelo rio.
O repórter pergunta se os moradores não reclamam do líquido sujo. O pipeiro mostra um pote com cápsulas de 20 gramas de cloro, distribuídas pelo Exército, e responde que a água fica boa rapidamente. “Coloca uma no tanque, e a água fica limpinha”. Neto faz parte de um sistema que consome quase R$ 1 bilhão por ano para levar água aos moradores do semiárido.
José Soares de Sá, o Cebola, trabalha como barqueiro no rio São Francisco, transportando alunos de áreas rurais para escolas na região urbana de Ibó. Seu pequeno barco está a 50 metros do mesmo bar frequentado pelo pipeiro Neto. Estacas para amarrar embarcações indicam que o rio já esteve bem mais perto do boteco.
“Só soltam a água da represa a cada 15 dias. O motor do barco já tá sentindo”, lamenta o barqueiro, explicando que, quanto mais raso o rio, mais o motor precisa trabalhar, pois é preciso desviar de mais baixios, o que alonga o percurso.
A dificuldade enfrentada por Cebola tem relação com a grande controvérsia do projeto: saber se o rio São Francisco tem água suficiente para a transposição. Estudos do governo apontam que 3% da água disponível seria desviada para o canal. A cifra dos que se opõem ao projeto é de 25% a 48%. O governo cita o valor mínimo a ser tirado, os opositores, os valores mínimo e máximo –e já considerando o que já é retirado atualmente do rio.
Quando os estudos de disponibilidade estavam em produção, era mais fácil justificar a retirada. O regime de chuvas das décadas de 1990 e 2000 fez com que a usina hidrelétrica de Sobradinho, rio acima de onde vai começar a retirada de água do São Francisco, vertesse água ao longo de dez anos –ou seja, deixava passar a parte da vazão que não seria empregada para gerar energia. Mas, na década atual, as chuvas escassearam, e Sobradinho não verteu água ainda. Em agosto, estava devolvendo ao rio 102 milhões de m³/dia, bem menos que os 160 milhões de m³/dia que deveriam chegar à foz do Velho Chico.

DISQUE-ÁGUA E PIVÔS

Santa Cruz, município paraibano de 6.000 habitantes na divisa com o Rio Grande do Norte, é um dos 390 na lista de beneficiados pela transposição. Seu açude Paraíso, com 5 milhões de m³, vinha dando conta de mitigar os efeitos das secas que infernizam a cidade. Quando ficou quase seco, começou a mandar uma água fétida para os moradores, que dizem só ser possível usá-la para descarga de banheiro e para lavar roupa.
O Disque-Água da Claudinha resolveu o abastecimento de água para beber e cozinhar. Uma picape F-2000, com dois tanques de 1.200 litros cada um, se arrasta pelas ruas esburacadas. Com uma saída pela manhã e outra à tarde, o serviço enche um balde de 15 litros por R$ 1. No fim do dia, os dois tanques estão vazios.
Na área rural, a situação dos que dependem da distribuição organizada pelo poder público é ainda mais incerta. Os caminhões-pipa têm de se abastecer cada vez mais longe. “Já cheguei a receber cem telefonemas por dia. O povo tá sofrendo muito nesses cantos aí”, diz o pipeiro Jackson Soares de Lima, que já deixou de atender a população por falta de pagamento da prefeitura.
A pouco mais de 40 km de Santa Cruz, a cidade de Aparecida (PB) ganhou há tempos um açude, o Redenção. Ele integra o projeto Pivas (Perímetro de Irrigação das Várzeas de Sousa), nome dado a grupos de fazendas com irrigação no semiárido.
Iniciados na ditadura militar (1964-1985), os programas de irrigação ocupam hoje pelo menos 500 mil hectares (5.000 km², pouco mais que a área de três municípios de São Paulo). Do Pivas participam 177 sítios de cinco hectares. Há também três fazendas de até mil hectares que produzem soja para exportação, com pivôs capazes de irrigar até cem hectares e ejetar 110 litros de água por segundo.
Rogério Paganelli Junqueira, que coordena o Pivas, conta que usa apenas 25% da água que vem do canal. O restante se perde com desvios e evaporação. Mesmo com os furtos e perdas, a quantidade de água foi suficiente para gerar R$ 4 milhões mensais de produção agrícola em 2013. Três mil pessoas trabalham diretamente no Pivas.
Segundo Paganelli, as novas tecnologias de irrigação, que borrifam a água de forma controlada em vez de encharcar o solo, permitiram que o volume usado caísse de 3 milhões para 1 milhão de m³ mensais, mesmo com o aumento da produção.
Francisco Aldenor da Silva conhece bem esse tipo de irrigação moderno. Em frente à fazenda do vizinho, junto ao canal do Redenção, o pequeno agricultor dá detalhes do sistema que irriga uma plantação de centenas de hectares de coqueiros. “Esse aqui faz gotejamento de água”, aponta o sitiante. O repórter pergunta por que ele não usa o sistema na própria plantação. “Tem dinheiro para isso não, moço”, responde.
Um sistema de irrigação moderno não sai por menos de R$ 7.000 o hectare. Com sistemas de irrigação antigos, obtidos com recursos do Incra, Silva e outras 300 famílias do assentamento Acauã, em Aparecida, plantam quase que só para subsistência, mesmo a poucos metros do canal do Redenção.
Paulista radicado no interior da Bahia desde a década de 1970, Roberto Malvezzi, da Articulação São Francisco Vivo (grupo de ONGs que defende a preservação do rio), viu de perto a terrível seca de 1982. Ele diz que a cisterna é uma forma de adaptação desenvolvida pelos próprios nordestinos para conviver com a estiagem, sem ilusão de acabar com ela.
Os movimentos sociais defendem que o governo federal amplie ainda mais a construção de cisternas, cujo número é estimado hoje em quase 700 mil (abaixo dos 9000 mil prometido pela presidente Dilma Rousseff), ao custo de cerca de R$ 1 bilhão. A cifra corresponde a um oitavo do custo da obra da transposição, que, oito anos depois de iniciada, ainda não matou a sede de ninguém –nem de vizinhos do canal, como Leônidas Landin: “Queria que Deus me desse muitos anos de vida pra eu pelo menos ver a água passando aí”.
Reportagem: Lalo de Almeida, Eduardo Geraque, Fernando Canzian, Rafael Garcia, Dimmi Amora e Marcelo Leite (coordenador) / Fotografias e vídeos: Lalo de Almeida / Edição de texto: Luiz Antonio Del Tedesco / Editor de Arte: Fabio Marra / Editor-adjunto de Arte: Mário Kanno /Projeto gráfico e desenvolvimento: Pilker e Lucas Zimmermann / Infografia, ilustrações e motion: Mário Kanno, Lucas Zimmermann, David Garroux, André Moscatelli / Edição de vídeo:Bruno Scatena / Finalização de vídeo: Douglas Lambert / Tratamento de foto: Thiago Almeida e Edson Sales